sábado, 10 de novembro de 2012

JOVENS X MERCADO DE TRABALHO

Apesar de o mercado de trabalho brasileiro ter apresentado um desempenho francamente positivo em 2005, do ponto de vista tanto da criação de postos de trabalho, como do aumento da remuneração, o contexto geral ainda se configura mais adverso do que há dez anos. Esse resultado tem a ver com o baixo crescimento econômico do país ao longo desse período, mas também com as mudanças estruturais que vêm ocorrendo na esfera produtiva em escala supra-nacional. Os jovens são os mais diretamente atingidos: apresentam uma evolução mais adversa da taxa de desemprego que os demais trabalhadores, o que se relaciona com suas características intrínsecas, como inexperiência, mas também com o fato de receberem o impacto integral dos ajustes do mercado de trabalho. Alguns pontos discutidos ao longo deste texto que podem ser destacados: a) A universalização do acesso à escola, na faixa etária de escolaridade obrigatória, está longe de atender às necessidades de qualificação requeridas pelo mercado de trabalho, seja devido à baixa qualidade do ensino fundamental, seja devido ao forte atraso escolar médio, que faz com que uma elevada proporção de jovens deixe a escola sem completar o ensino fundamental. A permanência na escola e o nível de escolarização vêm aumentando, mas a idade de 18 anos constitui claramente uma fronteira: a partir daí a proporção de jovens que estudam torna-se inferior à dos que trabalham, assim como ocorre um forte aumento da proporção de jovens que nem estudam nem trabalham - 21,3% - reforçando a característica dos 18 anos como idade de mudança, no que concerne à inserção no mercado de trabalho. b) Os jovens de 18 a 25 anos têm acompanhado as tendências verificadas para os trabalhadores em geral, mas de forma mais acentuada. De 1996 a 2005, sua taxa de atividade aumentou de 71% para 76%, portanto mais fortemente que a da população de 26 anos e mais (67% para 70%). A taxa de atividade crescente e mais elevada entre os jovens reflete o fato de que, cada vez mais, a inserção produtiva é vista como parte da vida adulta por todos, independentemente de sexo e condição econômico-social. Na esteira do aumento da taxa de atividade num contexto geralmente adverso, a taxa de desocupação dos jovens subiu dramaticamente (de 11% para 17%). De fato, a urbanização e o papel declinante de ocupações não-remuneradas, ligadas a atividades no âmbito familiar e na agropecuária, acabam por tornar parcelas crescentes do desemprego disfarçado em desemprego aberto. c) As dificuldades de inserção de jovens no mercado de trabalho têm a ver, em parte, com características intrínsecas dos jovens, tais como a falta de experiência, a tendência à experimentação, a predominância do seu status de não-chefe no grupo familiar. No entanto, a baixa escolaridade de uma proporção significativa dos jovens de 18 a 25 anos certamente contribui para a sua desvantagem relativa no mercado de trabalho: 30% deles não têm o curso fundamental completo, sendo que a maioria deles (25%) já não frequenta a escola. Esse fato é alarmante, já que se sabe que o mercado de trabalho brasileiro se especializa, não absorvendo trabalhadores com menos de 8 anos de escolaridade e caminhando para tornar o ensino médio - isto é, 11 anos de estudo - o nível de escolaridade mínimo exigido. d) Os jovens pouco qualificados têm, naturalmente, maiores dificuldades de inserção no mercado, o que se reflete em menor taxa de atividade - 27% são inativos -, e em ocupações de pior qualidade - maior proporção desses jovens se dedica a atividades de subsistência e de baixa ou nenhuma remuneração. Sua taxa de desemprego é menor do que a taxa de desemprego dos jovens em geral, porque, como ocorre na população em geral, os jovens menos escolarizados têm menor condição de seletividade.

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