domingo, 25 de novembro de 2012

Jesus diante de Pilatos

Jo 18,33b-37 Pilatos tornou a entrar no palácio, chamou Jesus e perguntou: - Você é o rei dos judeus? Jesus respondeu: - Esta pergunta é do senhor mesmo ou foram outras pessoas que lhe disseram isso a meu respeito? - Por acaso eu sou judeu? - disse Pilatos. - A sua própria gente e os chefes dos sacerdotes é que o entregaram a mim. O que foi que você fez? Jesus respondeu: - O meu Reino não é deste mundo! Se o meu Reino fosse deste mundo, os meus seguidores lutariam para não deixar que eu fosse entregue aos líderes judeus. Mas o fato é que o meu Reino não é deste mundo! - Então você é rei? - perguntou Pilatos. - É o senhor que está dizendo que eu sou rei! - respondeu Jesus. - Foi para falar da verdade que eu nasci e vim ao mundo. Quem está do lado da verdade ouve a minha voz. www.paulinas.org.br

sábado, 24 de novembro de 2012

Deus é o Deus dos vivos Leitura Orante

Lc 20,27-40 Alguns saduceus, os quais afirmam que ninguém ressuscita, chegaram perto de Jesus e disseram: - Mestre, Moisés escreveu para nós a seguinte lei: "Se um homem morrer e deixar a esposa sem filhos, o irmão dele deve casar com a viúva, para terem filhos, que serão considerados filhos do irmão que morreu." Acontece que havia sete irmãos. O mais velho casou e morreu sem deixar filhos. Então o segundo casou com a viúva, e depois, o terceiro. E assim a mesma coisa aconteceu com os sete irmãos, isto é, todos morreram sem deixar filhos. Depois a mulher também morreu. Portanto, no dia da ressurreição, de qual dos sete a mulher vai ser esposa? Pois todos eles casaram com ela! Jesus respondeu: - Nesta vida os homens e as mulheres casam. Mas as pessoas que merecem alcançar a ressurreição e a vida futura não vão casar lá, pois serão como os anjos e não poderão morrer. Serão filhos de Deus porque ressuscitaram. E Moisés mostra claramente que os mortos serão ressuscitados. Quando fala do espinheiro que estava em fogo, ele escreve que o Senhor é "o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó." Isso mostra que Deus é Deus dos vivos e não dos mortos, pois para ele todos estão vivos. Aí alguns mestres da Lei disseram: - Boa resposta, Mestre! E não tinham coragem de lhe fazer mais perguntas. Leitura Orante Graça e Paz a todos os que se reúnem aqui, na web, em torno da Palavra. Juntos, rezamos ou cantamos o Salmo 94: (Se, em grupo, pode ser rezado em dois coros ou um solista e os demais repetem) - Venham, ó nações, ao Senhor cantar (bis) - Ao Deus do universo, venham festejar (bis) - Seu amor por nós, firme para sempre (bis) - Sua fidelidade dura eternamente (bis) - Toda a terra aclame, cante ao Senhor (bis) - Sirva com alegria, venha com fervor (bis) - Nossas mãos orantes para o céu subindo (bis) - Cheguem como oferenda ao som deste hino (bis) - Glória ao Pai, ao Filho e ao Santo Espírito (bis) - Glória à Trindade Santa, glória ao Deus bendito (bis) 1. Leitura (Verdade) O que diz o texto do dia? Leio atentamente o texto na Biblia: Lc 20,27-40 e observo pessoas, palavras, relações, lugares. Os saduceus foram a Jesus porque queriam entender a questão da ressurreição. Jesus inicia fazendo uma correção. A ressurreição verdadeira consiste em passar a uma nova categoria, a de filhos de Deus. O matrimônio, após a morte, não permite gerar filhos. Tampouco se casa após a morte. Após a morte, "os que vivem, vivem para o Senhor", como diz São Paulo aos Romanos (Rm 14,8). 2. Meditação (Caminho) O que o texto diz para mim, hoje? Meu Deus é o Deus dos vivos como propõe Jesus? Ou, fico ainda com conceitos e idéias de um Deus dos mortos? Em Aparecida, disseram os bispos: "Jesus Cristo é a plenitude que eleva a condição humana à condição divina para sua glória: "Eu vim para dar vida aos homens e para que a tenham em abundância" (Jo 10,10). Sua amizade não nos exige que renunciemos a nossos desejos de plenitude vital, porque Ele ama nossa felicidade também nesta terra. Diz o Senhor que Ele criou tudo "para que o desfrutemos" (1 Tm 6,17)." (DAp 355). 3.Oração (Vida) O que o texto me leva a dizer a Deus? Rezo, renovando minha fé na ressurreição: Creio Creio em Deus Pai, Todo-poderoso, Criador do céu e da terra. Creio em Jesus Cristo, Seu único Filho, Nosso Senhor, Que foi concebido pelo Espírito Santo. Nasceu da Virgem Maria, Padeceu sob Pôncio Pilatos, Foi crucificado, morto e sepultado. Desceu à mansão dos mortos, Ressuscitou ao terceiro dia, Subiu aos céus, Onde está sentado à direita de Deus Pai E donde há de vir julgar os vivos e os mortos, Creio no Espírito Santo, Na santa Igreja católica, Na comunhão dos santos, Na remissão dos pecados, Na ressurreição da carne, Na vida eterna. Amém. 4.Contemplação (Vida e Missão) Qual meu novo olhar a partir da Palavra? Meu novo olhar é de renovada fé. Sinto que minha fé é pequena, por isso, passarei o dia repetindo a oração de uma pessoa do Evangelho:"Creio,Senhor, mas aumenta a minha fé!" (Mc 9,24). Bênção - Deus nos abençoe e nos guarde. Amém. - Ele nos mostre a sua face e se compadeça de nós. Amém. - Volte para nós o seu olhar e nos dê a sua paz. Amém. - Abençoe-nos Deus misericordioso, Pai e Filho e Espírito Santo. Amém.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Eucaristia, encontro de amor e fidelidade

Recordo-me como se fosse ontem. Tinha apenas sete anos quando, convidada por minha vizinha, fui pela primeira vez à missa. Confesso que ali algo aconteceu em minha vida. Imaginem uma criança que não sabia ler direito, não sabia qual era o significado daquela celebração, mas tinha no coração a certeza de que Alguém muito importante estava ali e ela deveria se encontrar com Ele sempre. Gostaria que estes minutos de leitura nos ajudassem a contemplar este mistério de amor que nos foi deixado aqui na terra, enquanto caminhamos como peregrinos rumo à pátria celeste. Mistério que não se desvenda ou se explica, mas se contempla, ama e acolhe. Quem nos ajuda neste itinerário é o beato João Paulo II, na sua carta apostólica Mane Nobiscum Domine. No segundo capítulo, intitulado: “Eucaristia, mistério de Luz” nos apresenta a passagem dos discípulos de Emaús. “De fato, a narração da aparição de Jesus ressuscitado aos dois discípulos de Emaús ajuda-nos a por em destaque um primeiro aspecto do mistério eucarístico, que deve estar sempre presente na devoção do povo de Deus: a Eucaristia, mistério de luz! Na Transfiguração e Ressurreição do Senhor, vimos claramente a sua glória. Porém, na Eucaristia, a sua glória está velada. O sacramento eucarístico é o “mysterium fidei” por excelência e, todavia, precisamente através desse sacramento, da sua total ocultação, Cristo torna-se mistério de luz, mediante o qual o fiel é introduzido nas profundezas da vida divina.” Estamos, portanto, diante de uma graça extraordinária e uma oportunidade única de poder nos aproximar do Sagrado Mistério. É maravilhoso e edificante ver aquelas pessoas simples e fervorosas na fé que, para participarem da Santa Missa, empreendem uma verdadeira viagem. Vão a pé, a cavalo, de carroça, de ônibus, pau de arara. Algum tempo atrás, contam nossos avós, tínhamos a nossa chamada roupa de missa. Era usada nessa ocasião especial. Toda a família se encaminhava na direção do Senhor da história e único que pode dar sentido à vida. Essas coisas boas não poderiam ser esquecidas, mas atualizadas. João Paulo II ressalta ainda o valor do Domingo, como o Dia do Senhor Ressuscitado e dia especial da Igreja. Dia de participar ativamente da Sagrada Eucaristia, pois ela é o coração do Domingo. Seria muito reduzido comparar a Eucaristia com o combustível, mas o exemplo nos ajudará. Sabemos todos, principalmente quem é motorista, que quanto mais usamos um carro mais ele precisa estar em dia com a manutençao e o combustível. Na nossa vida espiritual é a mesma coisa, ou melhor, com mais exigências. Sabemos que temos tantas coisas para fazer durante a semana: trabalho, estudo, reuniões, relacionamento familiar, lutas contra o pecado do egoísmo, do consumismo, e mesmo momentos de lazer e tranquilidade. Tudo isso requer que estejamos inteiros e façamos tudo como cristãos que somos, e não simplesmente máquinas, pessoas sem coração, sem alma, sem sentido. E Deus tem um banquete preparado para mim e para você toda a semana. Uma recarga grandiosa que vem diretamento do céu e não se esgota jamais. A Eucaristia é o combustível divino para o nosso desgate físico, psicológico e espiritual. Somos saciados com a mais “fina flor do trigo e o mel do rochedo” (Salmos 81,17). Um cristão sem a Eucaristia é um carro que não funciona, não sai do lugar. Todas essas dimensões da Eucaristia se encontram num aspecto que, mais do que qualquer outro, põe à prova a nossa fé: é o mistério da presença “real”. Com toda a tradição da Igreja, acreditamos que, sob as espécies eucarísticas, está realmente presente Jesus. Uma presença – como eficazmente explicou o Papa Paulo VI – que se diz “real”, não por exclusão, como se as outras formas de presença não fossem reais, mas por antonomásia, enquanto, por ela, se torna substancialmente presente Cristo completo na realidade do seu corpo e do seu sangue. Por isso, a fé pede-nos para estarmos diante da Eucaristia com a consciência de que estamos na presença do próprio Cristo. É precisamente a sua presença que dá às outras dimensões – de banquete, memorial da Páscoa, antecipação escatológica – um significado que ultrapassa, e muito, o de puro simbolismo. A Eucaristia é mistério de presença, mediante o qual se realiza de modo excelso a promessa que Jesus fez de ficar conosco até ao fim do mundo: “Eu estou convosco todos os dias” (Mt 28,20). Esta abertura ao transcendente é que nos induz a um “obrigado” perene. Por Cristiane Monteiro, membro da Comunidade Canção Nova

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

A REVOLUÇÃO DIGITAL

A revolução digital influencia de alguma forma nossa fé? Essa é a pergunta que o padre italiano Antonio Spadaro busca responder no livro Ciberteologia, publicado no Brasil pela Editora Paulinas. A ideia de traduzir o livro para o português – na primeira edição fora da Itália – surgiu a partir da participação de Spadaro no Seminário Nacional de Jovens Comunicadores, promovido pelas Comissões para a Juventude e para a Comunicação da CNBB em maio de 2012, em Brasília. A obra pode ser adquiria em todas as livrarias católicas, ou pela internet neste link. Programas de busca, smartphone, aplicativos, rede social: as recentes tecnologias digitais penetraram com impacto nossa vida diária. Entretanto, não como apenas instrumentos externos a serem usados para simplificar a comunicação e a relação com o mundo: elas, na verdade, desenharam um espaço antropológico novo que está mudando o nosso modo de pensar, de conhecer a realidade e de manter relações humanas. Será que não se deveria começar a refletir sobre como o Cristianismo deva ser pensado e falado neste novo cenário humano? Talvez seja hora de se considerar a possibilidade de uma "ciberteologia" entendida como uma inteligência da fé (intellectus fidei) nos tempo da rede. Não se trata, porém, de simplesmente procurar na rede novos instrumentos para a evangelização ou fazer uma reflexão sociológica a respeito da religiosidade na internet. Ao contrário - e aqui está a novidade pioneira deste livro -, trata-se de encontrar os pontos de contato e de interação produtiva entre a rede e o pensamento cristão. A lógica da rede, com suas poderosas metáforas, proporciona ocasiões inéditas para nossa capacidade de falar de comunhão, dom, transcendência. E, por sua vez, o pensamento teológico pode ajudar o homem na rede a encontrar novos caminhos em sua trajetória para Deus. É um território ainda inexplorado que o autor aborda com um indiscutível background teológico e grande competência técnica, principalmente com o espírito de confiança na capacidade do Cristianismo e da Igreja de estarem presentes onde o homem desenvolve sua capacidade de conhecimento e relacionamento. A rede é um contexto em que a fé é chamada a se exprimir não por causa de uma mera "vontade de presença", mas uma conaturalidade do Cristianismo com a vida do ser humano. O desafio, portanto, não está em como "usar" bem a rede, mas como "viver" bem nos tempos da rede. Com informações da Editora Paulinas

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Eles gastam muito

Com um apetite consumista maior que o da média da população, o jovem brasileiro sabe onde quer gastar e ainda influencia as compras da família São adolescentes, mas pode chamá-los de maquininhas de consumo. Um estudo realizado com garotas e rapazes de nove países mostra que no Brasil sete em cada dez jovens afirmam gostar de fazer compras. Desse grupo de brasileiros, quatro foram ainda mais longe – disseram ter grande interesse pelo assunto. O resultado da pesquisa, que tomou como base um trabalho da Organização das Nações Unidas (ONU) chamado Is the Future Yours? (O Futuro É Seu?), foi significativo: os brasileiros ficaram em primeiríssimo lugar no ranking desse quesito, deixando para trás franceses, japoneses, argentinos, australianos, italianos, indianos, americanos e mexicanos. Ou seja, vai gostar de consumir assim lá no shopping center. E não precisa nem mandar, porque a turma vai mesmo. Outra pesquisa, feita pelo Instituto Ipsos-Marplan, constatou que 37% dos jovens fazem compras em shoppings, contra 33% dos adultos. Nem sempre os mais novos adquirem produtos mais caros, mas, proporcionalmente, têm maior afinidade com as vitrines. A lista de vantagens dos adolescentes sobre outros públicos é de tirar o fôlego: eles vão mais vezes ao cinema, viajam com maior freqüência, compram mais tênis, gostam mais de roupas de grife – mais caras que as similares sem marca famosa –, consomem mais produtos diet, têm mais computadores, assistem a mais DVDs e vídeos e, só para terminar, são mais vorazes na hora de abocanhar balas, chicletes e lanches. Não é à toa que a falência antes do fim do mês é maior entre os jovens: invariavelmente atinge quase a metade deles, que estoura a mesada ou o salário.
O poder dos adolescentes sobre o mercado vai mais longe ainda, mesmo que eles não dêem a mínima para abstrações como "mercado". Costumam, por exemplo, aparecer com mais assiduidade no balcão. Pessoas com menos de 25 anos trocam de aparelho celular uma vez por ano (as mais velhas, a cada dois anos). Em relação às bicicletas, só para citar mais um exemplo, a situação é semelhante. Os adolescentes não são os maiores compradores do setor, mas aposentam uma bike a cada quatro anos. Os mais velhos só mudam de selim de sete em sete anos. Diante de tantas evidências, não causa surpresa que o gasto médio das famílias brasileiras seja maior nas casas em que moram adolescentes de 13 a 17 anos. Nesses domínios, a lista dos cinco produtos mais consumidos traz, em primeiro lugar, o leite longa vida. Depois vêm os refrigerantes. Nos lares com jovens entre 18 e 24 anos, a hierarquia é surpreendente. O refrigerante lidera o ranking, seguido por leite, óleo vegetal, cerveja e café torrado – o que explica o fato de a Coca-Cola ter no Brasil seu terceiro maior mercado em todo o mundo.
O poder de consumo dos jovens é um filão que anima vários setores da economia. Há em curso uma corrida para conquistar o coração dessa rapaziada (e o bolso dos pais). As grandes marcas desenvolvem estratégias milionárias para tornar esse público fiel desde já. A maior parte do que se produz no mercado publicitário, que movimenta 13 bilhões de reais por ano, tem como alvo a parcela de 28 milhões de brasileiros com idade entre 15 e 22 anos. É esse grupo que fornece boa parte do ideário da propaganda, enchendo os anúncios com mensagens de liberdade e desprendimento. Mostra-se extraordinária também a influência que essa molecada exerce sobre as compras da família. Oito em cada dez aparelhos de som só saem das lojas a partir do aval da ala jovem do lar. A fabricante de eletrodomésticos Arno não faz nada sem pensar nos mais novos, pois, na comum ausência das mamães trabalhadoras, é a garotada quem usa espremedores de fruta, tostadores de pão, sanduicheiras e liquidificadores. "Hoje, vendemos tanto para os filhos como para as donas-de-casa", conta Mauro de Almeida, gerente de comunicação da Arno, que mantém duas escolinhas de gourmet para cativar consumidores desde a pré-adolescência. Essa influência é exercida já em tenra idade. Nos dias de hoje, um indivíduo é considerado consumidor aos 6 anos. Nesse momento as crianças começam a ser ouvidas na hora de tirar um produto das prateleiras do supermercado. Para cada dez crianças de até 13 anos, sete pedem itens específicos às mães. O poder jovem também se nota na hora de esvaziar o carrinho no caixa. Um quarto do que é registrado foi pedido pela garotada. "Nós educamos as crianças e os jovens para que tenham autonomia, opinião, poder de decisão. Pois é, eles aprenderam e decidem o que comprar por nós", ironiza Rita Almeida, especialista em tendências e hábitos de consumo de adolescentes da agência de propaganda AlmapBBDO. Reportagem: REVISTA VEJA - Edição Especial (Julho de 2003)

sábado, 10 de novembro de 2012

JOVENS X MERCADO DE TRABALHO

Apesar de o mercado de trabalho brasileiro ter apresentado um desempenho francamente positivo em 2005, do ponto de vista tanto da criação de postos de trabalho, como do aumento da remuneração, o contexto geral ainda se configura mais adverso do que há dez anos. Esse resultado tem a ver com o baixo crescimento econômico do país ao longo desse período, mas também com as mudanças estruturais que vêm ocorrendo na esfera produtiva em escala supra-nacional. Os jovens são os mais diretamente atingidos: apresentam uma evolução mais adversa da taxa de desemprego que os demais trabalhadores, o que se relaciona com suas características intrínsecas, como inexperiência, mas também com o fato de receberem o impacto integral dos ajustes do mercado de trabalho. Alguns pontos discutidos ao longo deste texto que podem ser destacados: a) A universalização do acesso à escola, na faixa etária de escolaridade obrigatória, está longe de atender às necessidades de qualificação requeridas pelo mercado de trabalho, seja devido à baixa qualidade do ensino fundamental, seja devido ao forte atraso escolar médio, que faz com que uma elevada proporção de jovens deixe a escola sem completar o ensino fundamental. A permanência na escola e o nível de escolarização vêm aumentando, mas a idade de 18 anos constitui claramente uma fronteira: a partir daí a proporção de jovens que estudam torna-se inferior à dos que trabalham, assim como ocorre um forte aumento da proporção de jovens que nem estudam nem trabalham - 21,3% - reforçando a característica dos 18 anos como idade de mudança, no que concerne à inserção no mercado de trabalho. b) Os jovens de 18 a 25 anos têm acompanhado as tendências verificadas para os trabalhadores em geral, mas de forma mais acentuada. De 1996 a 2005, sua taxa de atividade aumentou de 71% para 76%, portanto mais fortemente que a da população de 26 anos e mais (67% para 70%). A taxa de atividade crescente e mais elevada entre os jovens reflete o fato de que, cada vez mais, a inserção produtiva é vista como parte da vida adulta por todos, independentemente de sexo e condição econômico-social. Na esteira do aumento da taxa de atividade num contexto geralmente adverso, a taxa de desocupação dos jovens subiu dramaticamente (de 11% para 17%). De fato, a urbanização e o papel declinante de ocupações não-remuneradas, ligadas a atividades no âmbito familiar e na agropecuária, acabam por tornar parcelas crescentes do desemprego disfarçado em desemprego aberto. c) As dificuldades de inserção de jovens no mercado de trabalho têm a ver, em parte, com características intrínsecas dos jovens, tais como a falta de experiência, a tendência à experimentação, a predominância do seu status de não-chefe no grupo familiar. No entanto, a baixa escolaridade de uma proporção significativa dos jovens de 18 a 25 anos certamente contribui para a sua desvantagem relativa no mercado de trabalho: 30% deles não têm o curso fundamental completo, sendo que a maioria deles (25%) já não frequenta a escola. Esse fato é alarmante, já que se sabe que o mercado de trabalho brasileiro se especializa, não absorvendo trabalhadores com menos de 8 anos de escolaridade e caminhando para tornar o ensino médio - isto é, 11 anos de estudo - o nível de escolaridade mínimo exigido. d) Os jovens pouco qualificados têm, naturalmente, maiores dificuldades de inserção no mercado, o que se reflete em menor taxa de atividade - 27% são inativos -, e em ocupações de pior qualidade - maior proporção desses jovens se dedica a atividades de subsistência e de baixa ou nenhuma remuneração. Sua taxa de desemprego é menor do que a taxa de desemprego dos jovens em geral, porque, como ocorre na população em geral, os jovens menos escolarizados têm menor condição de seletividade.